O que é
O CPI (Consumer Price Index) é o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos — o principal medidor de inflação americana acompanhado pelo mercado. Junto com o payroll, é o dado que mais define as apostas sobre a trajetória de juros do Fed.
Para o trader brasileiro, é um dos eventos intradiários mais relevantes do mês: mexe no dólar global e, por consequência, no WDO e no WIN.
Quem divulga
- Divulgado pelo BLS (Bureau of Labor Statistics).
- Duas leituras principais:
- CPI cheio (headline): inclui alimentos e energia.
- Core CPI (núcleo): exclui alimentos e energia — mais estável e mais observado pelo mercado, porque reflete a tendência de fundo.
- Cada um é publicado na variação mensal e na acumulada em 12 meses.
- O Fed tem como referência formal outro índice, o PCE, mas o CPI sai antes e é o que move o mercado no dia.
Quando sai
- Mensal, tipicamente no meio do mês, às 8h30 de Nova York.
- Em Brasília: 10h30 no horário padrão dos EUA; 9h30 durante o horário de verão americano.
- Cai dentro do pregão brasileiro — evento operável e de alto impacto.
Interpretação e sinais
- CPI acima do esperado (principalmente o núcleo): inflação resistente → juros altos por mais tempo → dólar forte, bolsas caem.
- CPI abaixo do esperado: alívio → aposta em cortes → dólar mais fraco, bolsas sobem.
- Divergência entre cheio e núcleo: se o cheio veio alto por causa de energia, mas o núcleo veio comportado, o mercado tende a olhar o núcleo.
- Décimos importam: uma diferença de 0,1 p.p. no núcleo já produz movimento relevante.
Números de referência
- Frequência: mensal, meio do mês, 8h30 ET.
- Leituras: headline e core, cada uma em variação mensal e em 12 meses.
- Índice de referência oficial do Fed para a meta: PCE (divulgado depois, com menos impacto imediato).
- Fonte oficial: BLS (bls.gov).
Na prática
- Marque na agenda e converta o fuso.
- Compare o núcleo com o consenso — é ele que dita a reação, não o cheio.
- Fique de fora do minuto do dado. Spread alarga e o candle pode ser desproporcional.
- Use o range dos primeiros 15 minutos como referência para operar a continuidade.
- Combine com o calendário do FOMC: CPI divulgado poucos dias antes de uma reunião tem peso ainda maior, porque muda as apostas para a decisão.
Quando falha
Fortes:
- Agendado, público e amplamente coberto.
- Alto poder explicativo sobre o dólar e o apetite a risco global.
- Deixa referências claras de preço após o impulso inicial.
Limitações:
- Volatilidade extrema no momento da divulgação.
- Não é o índice formal da meta do Fed (que é o PCE) — pode haver descolamento entre os dois.
- Componentes voláteis distorcem o número cheio.
- Olhar só o headline e ignorar o núcleo.
- Entrar no primeiro candle e ser estopado pela reversão.
- Esquecer o horário de verão dos EUA e errar o horário no gráfico.
- Assumir relação mecânica "inflação alta = bolsa cai" sem considerar o que já estava precificado.
- Ignorar o calendário: CPI às vésperas de FOMC tem impacto amplificado.
Exemplo
CPI do mês com expectativa de 0,3% no núcleo. Sai 0,4%. Nos primeiros segundos, o dólar dispara globalmente e o WDO sobe 400 pontos, enquanto o WIN cai. O trader que estava fora observa o range formado entre 10h30 e 10h45. Às 10h50, o WDO faz um repique até a metade do range e retoma a alta — ele compra no rompimento da máxima dos últimos candles, com stop abaixo do repique. Se o núcleo tivesse vindo em linha, ele simplesmente não teria operado o evento: sem surpresa, o movimento tende a se desfazer.
