O que é
Mesa proprietária (ou prop firm) é a empresa que fornece capital para o trader operar, em troca de uma divisão dos lucros. O trader não aporta o capital de risco — ele passa por uma avaliação e, aprovado, opera uma conta financiada seguindo regras rígidas de risco.
É a rota mais comum hoje para quem quer operar tamanho maior sem ter o capital, e o formato tem parentesco direto com o de torneio: regras publicadas, limites de perda automáticos e eliminação ao violar qualquer um deles.
Como funciona na Arena
Planos de mesa proprietária e acesso direto a mesa proprietária (sem precisar de teste) estão entre os itens que o trader pode resgatar na Arena:
- No marketplace (geral e das ligas), com TradeCoins.
- No Programa de Fidelidade da Conta Safe, com tokens — ganhos ao dobrar (+3) ou triplicar (+5) o saldo de uma Conta Safe.
Ou seja: performance consistente na Conta Safe pode virar acesso a mesa, pulando a etapa de avaliação paga.
Regras e limites
O modelo de avaliação mais difundido no mercado (padrão popularizado pela FTMO) costuma ter:
| Regra | Faixa típica de mercado |
|---|---|
| Meta de lucro (fase 1) | 8% a 10% |
| Meta de lucro (fase 2) | ~5% |
| Perda diária máxima | ~5% do saldo |
| Perda total máxima (drawdown) | ~10% |
| Prazo por fase | ~30 dias |
| Profit split (parte do trader) | 75% a 90% (padrão de mercado em 2026) |
Dois tipos de drawdown — a diferença que mais elimina trader:
- Estático: o limite é fixo a partir do saldo inicial.
- Trailing: o limite sobe junto com o pico de saldo/equity atingido. Exemplo: com trailing de 10% e conta chegando a US$ 105.000, o novo piso passa a ser US$ 94.500 — mesmo que o saldo inicial fosse US$ 100.000.
Algumas mesas aplicam ainda a regra de consistência (nenhum dia pode representar uma fatia grande demais do lucro total), removida em certas contas profissionais. As condições variam por mesa — leia o regulamento específico antes de contratar.
Onde fica na plataforma
- Marketplace (geral e da liga) → itens resgatáveis com TradeCoins.
- Home da Conta Safe → Programa de Fidelidade → troca de tokens.
Parâmetros comuns
- Risco por operação em avaliação: 0,3% a 0,5% do saldo.
- Perda diária pessoal: metade do limite oficial (se o limite é 5%, pare em 2,5%).
- Profit split: 75% a 90% para o trader, conforme a mesa e o plano.
- Prazo: cerca de 30 dias por fase nos modelos clássicos (várias mesas já operam sem prazo).
Na prática
- Trate a avaliação como um torneio longo: o objetivo real não é bater a meta rápido, é não violar nenhum limite.
- Calcule o risco a partir do drawdown, não da meta. Com 10% de limite total, arriscar 1% por operação dá 10 tentativas — apertado. Entre 0,3% e 0,5% é mais sustentável.
- Descubra qual drawdown é o seu (estático ou trailing) antes da primeira operação. No trailing, um dia muito bom sobe o piso e reduz sua margem de erro daí em diante.
- Se houver regra de consistência, evite o dia gigante: ele pode invalidar a aprovação mesmo com a meta batida.
- Antes de pagar avaliação, confira o que você já tem na Arena: tokens da Conta Safe e TradeCoins podem dar acesso a plano de mesa ou entrada direta sem teste.
Quando falha
Fortes:
- Acesso a capital muito maior que o próprio, com risco pessoal limitado ao custo da avaliação.
- Regras rígidas forçam disciplina — quem sobrevive à avaliação melhora de verdade.
- Payout alto: a maior parte do lucro fica com o trader.
- Na Arena, o acesso pode vir por performance (tokens/TradeCoins), não só por pagamento.
Limitações:
- Taxa de aprovação baixa: a maioria viola alguma regra antes de bater a meta.
- Drawdown trailing reduz a margem justamente depois de um dia bom — contraintuitivo e cruel.
- Regras variam muito entre mesas; comparar só pelo preço da avaliação é erro.
- Prazo e metas podem empurrar para risco acima do que sua estratégia comporta.
- Confundir perda diária com perda total e planejar o risco errado.
- Não saber se o drawdown é estático ou trailing.
- Buscar a meta em poucos dias com risco alto — funciona uma vez em cada dez tentativas e destrói o processo.
- Ignorar a regra de consistência e perder a aprovação com a meta já batida.
- Pagar por avaliação sem checar se já há acesso disponível via tokens ou TradeCoins.
Exemplo
Avaliação de US$ 100.000 com meta de 8%, perda diária de 5% e drawdown trailing de 10%. O trader arrisca 0,4% por operação (US$ 400) — 25 tentativas até o limite total. Na primeira semana chega a US$ 106.000: o piso do trailing sobe de US$ 90.000 para US$ 95.400, ou seja, a margem que restava encolheu. Ele então reduz o risco para 0,25% e mantém o ritmo, batendo os US$ 108.000 na terceira semana sem nunca chegar perto do piso. Quem não entendeu o trailing continuou arriscando o mesmo valor, devolveu parte do ganho e violou o limite com a conta ainda acima do saldo inicial.
