O que é
Scalping é o estilo de operação de prazo mais curto que existe: o trader busca capturar movimentos muito pequenos de preço (poucos pontos ou ticks), entrando e saindo da posição em segundos ou poucos minutos, várias vezes ao dia. A lógica é somar muitos ganhos pequenos com risco controladíssimo por operação, em vez de esperar um movimento grande. No Brasil é um estilo muito associado aos minicontratos de índice (WIN) e dólar (WDO), pela liquidez e pelo custo baixo por operação.
Regras da estratégia
Scalping é um ESTILO, não um setup único — mas toda abordagem séria de scalp tem regras objetivas:
- Operar apenas ativos de altíssima liquidez (WIN, WDO, ações mais líquidas da B3), onde o spread é de 1 tick.
- Gráficos rápidos: 1 minuto ou menos (renko, tick chart, ou direto no book/times & trades).
- Gatilhos comuns: rompimento de micro-topo/fundo, defesa de nível por player grande no book, teste de VWAP ou de máxima/mínima recente.
- Alvo curto e pré-definido (ex.: 30–100 pontos no WIN; 1–3 pontos no WDO) e stop igualmente curto.
- Número limitado de operações e perda máxima diária definida ANTES de começar o dia.
Entrada, stop e alvo
- Entrada: sempre em gatilho objetivo (rompimento de micro-nível, agressão relevante no fluxo, teste de suporte/resistência intradiário). Ordens a mercado ou stop-gain/stop-loss já programados.
- Stop: curtíssimo, poucos ticks atrás do nível que motivou a entrada. Se o motivo sumiu, a posição é encerrada — sem "esperar voltar".
- Alvo: relação risco/retorno geralmente entre 1:1 e 1:2, com saída rápida. Muitos scalpers realizam parcial no primeiro objetivo.
Gestão da operação
- Risco fixo por trade (ex.: 0,25%–0,5% do capital) e limite de perda diária (ex.: 3 stops seguidos = parar).
- Custos importam muito: corretagem e emolumentos corroem resultado de quem opera dezenas de vezes ao dia — simular o custo total antes.
- Disciplina de execução: o scalp não dá tempo de "pensar durante o trade"; o plano precisa estar pronto antes.
Quando funciona melhor
- Em períodos de boa volatilidade intradiária com liquidez alta — tipicamente a primeira e a última hora do pregão da B3.
- Em mercados laterais o scalper opera as extremidades do range; em tendência forte, opera a favor do fluxo.
- Timeframes: 1 min, tick e book de ofertas. Ativos: WIN e WDO são os preferidos no Brasil; ações muito líquidas também servem.
Quando falha
Fortes: exposição curtíssima ao risco (pouco tempo posicionado), muitas oportunidades por dia, não carrega risco overnight, funciona em dias sem tendência. Limitações: exige dedicação integral, execução rápida e boa infraestrutura (plataforma estável, latência baixa); custos operacionais altos; altíssima exigência emocional — é considerado um dos estilos mais difíceis para iniciantes.
- Alongar o stop "só dessa vez" — em scalp, um stop alongado apaga o lucro de vários trades.
- Overtrading: operar por tédio ou para recuperar perda (revenge trade).
- Operar horários de baixa liquidez (almoço) com o mesmo tamanho de posição.
- Ignorar custos por operação e descobrir no fim do mês que o resultado líquido é negativo.
Exemplo
No WIN, primeiro hora do pregão: o índice consolida entre 128.400 e 128.550. O scalper observa no book uma defesa forte de compra em 128.400 com agressões compradoras aparecendo no times & trades. Compra a 128.410 com stop em 128.340 (70 pontos) e alvo em 128.530 (120 pontos). O preço testa 128.400, segura, e sobe até a resistência do range; ele sai a 128.520 em menos de 4 minutos. Ganho pequeno, risco pequeno — e ele repete o processo apenas quando o cenário volta a ficar claro.
