O que é
Trava de risco é um limite configurado na plataforma (ou na conta) que bloqueia novas operações quando um teto é atingido — perda no dia, número de operações, quantidade de contratos.
A diferença entre trava e disciplina é decisiva: disciplina depende de você estar bem no pior momento do dia. Trava, não. Ela funciona exatamente quando o seu julgamento está pior, que é quando você mais precisa ser impedido.
Como funciona
| Tipo de trava | O que bloqueia |
|---|---|
| Limite de perda diário | Novas ordens depois de atingir X de prejuízo no dia |
| Limite de perda total | Encerra a conta/participação ao atingir o teto acumulado |
| Máximo de contratos | Impede posição acima de N contratos |
| Máximo de operações | Limita a quantidade de trades no dia (anti-overtrading) |
| Horário | Bloqueia envio fora da janela definida |
| Ativos permitidos | Restringe quais contratos podem ser negociados |
Existem em três camadas, e elas se somam:
- Trava da plataforma — você configura no Profit.
- Trava da conta/corretora — imposta pela mesa ou pelo produto.
- Trava da competição — na Arena, as regras do torneio, TvT ou Conta Safe já vêm aplicadas na conta.
Parâmetros comuns
- Limite de perda diário pessoal: 2R a 3R (ou 2% a 3% do capital).
- Limite pessoal em relação ao da competição: 60% a 70% dele.
- Máximo de operações por dia: definido a partir do seu histórico, não do apetite.
- Configuração: sempre antes da abertura.
Na prática
- Configure a sua trava abaixo do limite da competição. Se o torneio permite perder R$ 500, trave em R$ 350. Assim você para antes de ser parado.
- Dimensione o limite diário pela sua streak esperada, não por sensação. Se o sistema tem 3 perdas seguidas como rotina, o limite não pode ser 2R.
- Trave também o número de operações. Overtrading raramente aparece como perda grande — aparece como muitas perdas pequenas somadas.
- Coloque a trava antes do pregão, nunca durante. Configurar limite com prejuízo na tela é negociar consigo mesmo.
- Robô também precisa de trava interna, além da trava da plataforma. Ele não tem instinto de sobrevivência.
- Se bateu, acabou o dia. Aumentar o limite depois de bater destrói o propósito inteiro do mecanismo.
Quando falha
Fortes:
- Funciona no momento exato em que a força de vontade falha.
- Transforma gestão de risco em mecanismo, não em intenção.
- Impede que um dia ruim vire um mês ruim — o padrão que mais quebra conta.
- Na Arena, garante que todos competem sob as mesmas regras.
Limitações:
- Trava frouxa não protege nada — só dá sensação de proteção.
- Pode interromper um dia que iria virar (e você nunca vai saber se iria).
- Se você pode alterá-la a qualquer momento, ela é sugestão, não trava.
- Não impede o erro dentro do limite: dá para perder o limite inteiro em uma operação mal dimensionada.
- Trava de plataforma não substitui o dimensionamento correto da posição.
- Operar sem nenhuma trava, confiando em "eu paro quando precisar".
- Definir o limite pessoal igual ao da competição — você só descobre que passou quando já está fora.
- Aumentar a trava no meio do dia para "recuperar".
- Configurar o limite depois do primeiro prejuízo, com a emoção já contaminada.
- Travar a perda e esquecer de limitar o número de operações.
- Rodar robô sem trava interna, achando que a da plataforma cobre tudo.
- Confundir a trava da plataforma com a da competição — na Arena, é a segunda que desliga.
Exemplo
Um trader entra num torneio da Arena com limite de perda de R$ 600 e máximo de 5 contratos. A conta chega ao Profit já com essas regras aplicadas: se ele bater os R$ 600, está fora da competição, sem apelação.
Ele configura a sua própria trava em R$ 400 — cerca de dois terços do limite oficial — e limita a 6 operações por dia.
Na quarta-feira o dia começa mal: três perdas seguidas, −R$ 310. É uma sequência normal para o sistema dele (com 42% de acerto, três perdas seguidas acontecem toda semana), mas a sensação é de urgência. Ele vê uma quarta entrada, aumenta mentalmente o lote para "resolver de uma vez", envia — e a trava de contratos bloqueia acima de 5.
A operação sai no tamanho normal e é stopada. −R$ 405: a trava pessoal dispara e bloqueia o resto do dia.
Sem as travas, o cenário provável era conhecido: lote dobrado na quarta operação, prejuízo maior, tentativa de recuperar na quinta, e os R$ 600 do torneio consumidos numa tarde — eliminado no terceiro dia de uma competição de duas semanas.
Na quinta e na sexta ele opera normalmente e recupera os R$ 405. Continuar na competição foi o resultado da trava, não da disciplina — porque naquela quarta-feira a disciplina não estava disponível.
