O que é
Trend following é a filosofia operacional de identificar uma tendência já em andamento e operar A FAVOR dela até que existam sinais objetivos de que acabou — sem tentar prever topos e fundos. O lema clássico é "the trend is your friend": o seguidor de tendência aceita perder o início e o fim do movimento em troca de capturar o "miolo". É a base de estratégias sistemáticas famosas (como as dos Turtle Traders) e de setups brasileiros de condução por média móvel.
Regras da estratégia
Estrutura clássica de um sistema seguidor de tendência:
- Filtro de tendência: preço acima de uma média longa (ex.: MM200 ou MM21 ascendente) = só compras; abaixo = só vendas. Alternativas: cruzamento de médias (curta acima da longa), ADX > 25, topos/fundos ascendentes.
- Gatilho de entrada: rompimento de máxima de N períodos (estilo canal de Donchian dos Turtles), cruzamento de médias, ou pullback que retoma a tendência.
- Saída perdedora: stop inicial técnico ou por volatilidade (ex.: 2x ATR).
- Saída vencedora: trailing stop — média móvel, mínima de N períodos, ou ATR — NUNCA alvo fixo curto: a assimetria vem de deixar correr.
- As regras devem ser mecânicas o bastante para serem seguidas sempre, sem exceção.
Entrada, stop e alvo
- Entrada: exemplo clássico (Turtles): comprar o rompimento da máxima de 20 dias quando o filtro de tendência permite.
- Stop: 2x ATR abaixo da entrada, ou abaixo do último fundo relevante.
- Alvo: não há alvo fixo — a posição é conduzida por trailing (ex.: sair no rompimento da mínima de 10 dias, ou no fechamento abaixo da média de condução).
Gestão da operação
- Risco fixo por trade (ex.: 1%) dimensionado pela distância do stop (posição menor quando a volatilidade é alta).
- Aceitar taxa de acerto baixa (35%–50% é normal): o lucro vem de payoff alto — poucos trades grandes pagam muitos stops pequenos.
- Piramidar a favor da tendência é opcional e clássico (os Turtles adicionavam a cada meio ATR de avanço).
- Nunca "realizar cedo" por ansiedade — cortar o lucro destrói a matemática do sistema.
Quando funciona melhor
- Mercados que desenvolvem tendências longas: dólar/WDO em movimentos macro, commodities, ações em ciclos fortes, índice em bull/bear markets definidos.
- Timeframes maiores (diário, semanal) dão tendências mais confiáveis; no intradiário funciona em dias de tendência (ex.: WIN em dia de agenda forte).
- Sofre em mercados laterais: gera sequências de pequenos stops (whipsaws) até a próxima tendência pagar a conta.
Quando falha
Fortes: lógica simples e testável; não depende de prever nada; captura os movimentos que realmente pagam; funciona em qualquer ativo com tendência; regras mecânicas reduzem emoção. Limitações: longas sequências de perdas em lateralização; drawdowns psicologicamente difíceis; devolve parte do lucro no fim de cada tendência (o trailing sempre sai depois do topo); exige disciplina férrea para executar TODOS os sinais.
- Pular sinais depois de uma sequência de stops — justamente o sinal pulado costuma ser o trade grande.
- Realizar lucro cedo com alvo curto, transformando um sistema assimétrico em 50/50.
- Operar contra o filtro ("essa queda é exagero, vou comprar").
- Trocar de sistema a cada drawdown, sem dar amostra estatística para as regras.
Exemplo
No diário do WDO, a MM21 vira para cima e o preço rompe a máxima dos últimos 20 pregões a 5.420. O trader compra com stop 2x ATR abaixo (5.330). O dólar entra em pernada de alta; a cada novo fundo no diário, ele sobe o stop para baixo do fundo. Depois de 6 semanas e duas adições na posição, o preço fecha abaixo da mínima de 10 dias a 5.680 e ele encerra tudo. Devolveu parte do topo (que foi 5.750), mas capturou o miolo de um movimento de mais de 250 pontos.
