O que é
O ajuste diário é o mecanismo que liquida em dinheiro, todos os dias, os ganhos e perdas de quem tem posição aberta no mercado futuro da B3. Em vez de esperar o vencimento para acertar as contas, a bolsa apura um preço de ajuste ao fim de cada pregão e credita/debita a diferença na conta de cada participante. É o que impede o risco de crédito de se acumular — e o que faz seu extrato "mexer" mesmo sem você ter fechado a operação.
Como funciona
Mecânica verificada em 29/07/2026 (B3 e corretoras):
- Preço de ajuste: calculado pela B3, em regra como média ponderada dos negócios em uma janela de tempo definida para cada contrato (metodologia no Manual de Apreçamento da B3). Referências usuais divulgadas por corretoras: dólar/mini dólar usa a janela de 15h50 às 16h00; o índice usa uma janela própria no fim da sessão (fontes citam 17h00–17h15 nas grades antigas; confirme a janela vigente no manual da B3, pois os horários de pregão mudaram em 2026).
- Cálculo do ajuste da posição: (preço de ajuste do dia − preço de ajuste anterior, ou preço de abertura da posição) × valor do ponto × nº de contratos.
- Liquidação em D+1: o valor apurado hoje é creditado/debitado na sua conta na corretora no dia útil seguinte.
- Day trade: quem abre e fecha no mesmo dia não carrega posição — o resultado é a diferença entre compra e venda, também liquidado financeiramente em D+1; não há ajustes subsequentes.
- Margem: o ajuste é independente da margem de garantia; a margem fica bloqueada como garantia, o ajuste é dinheiro que entra/sai de fato.
O que o trader precisa saber
- Se você carrega WIN/WDO por vários dias, seu resultado vem em "parcelas" diárias — uma sequência de débitos pode drenar o saldo antes de o mercado "voltar".
- Precisa ter saldo para os débitos de ajuste. Saldo insuficiente gera chamada de margem e pode terminar em zeragem compulsória da posição.
- O ajuste usa o preço de ajuste da B3, não o último negócio que você viu no gráfico — pequenas diferenças entre o fechamento "visual" e o ajuste oficial são normais.
- Para swing em futuros, o IR considera a soma dos ajustes do período da posição (é assim que o resultado se materializa).
- O preço de ajuste também serve de referência para os túneis de negociação e limites de oscilação do dia seguinte.
Na prática
Segunda-feira você compra 1 WIN a 140.000 pontos e decide carregar. O preço de ajuste do dia sai a 140.300 → você recebe (140.300 − 140.000) × R$ 0,20 = +R$ 60 (crédito na terça). Terça o mercado cai e o ajuste sai a 139.800 → você paga (139.800 − 140.300) × R$ 0,20 = −R$ 100 (débito na quarta). Na quarta você vende a 140.100: recebe (140.100 − 139.800) × R$ 0,20 = +R$ 60. Resultado líquido: 60 − 100 + 60 = +R$ 20, exatamente os 100 pontos entre 140.000 e 140.100 × R$ 0,20 — só que pago em três parcelas diárias.
Quando falha
- Conferir o extrato e achar que "sumiu dinheiro": débito de ajuste de posição carregada não é erro da corretora, é a mecânica do futuro.
- Carregar posição sem caixa livre para suportar dias de ajuste negativo — a zeragem compulsória chega antes da sua tese.
- Usar o fechamento do gráfico como ajuste: o oficial é a média ponderada da janela da B3, publicada por ela.
- Ignorar que fim de semana concentra risco: o ajuste de sexta para segunda embute dois dias de notícia com mercado fechado.
- Confundir margem bloqueada com ajuste debitado — são coisas distintas e ambas afetam seu saldo disponível.
