O que é
Um contrato futuro é um acordo padronizado de comprar ou vender um ativo (índice, dólar, juros, boi, milho, café...) por um preço definido hoje, com liquidação numa data futura. Na B3, os futuros são negociados em pregão eletrônico e a imensa maioria dos participantes nunca "leva" o ativo: as posições são encerradas antes do vencimento ou liquidadas financeiramente. É o ambiente natural do day trader brasileiro — WIN e WDO são contratos futuros.
Como funciona
Mecânica central (verificada em 29/07/2026 nas regras da B3 e materiais de corretoras):
- Padronização: a B3 define tudo — tamanho do contrato, cotação, tick, vencimentos, horários. Você só escolhe preço, quantidade e direção. Ex.: WIN = pontos do Ibovespa × R$ 0,20; WDO = US$ 10.000 por contrato.
- Vender sem ter comprado: no futuro, abrir posição vendida é tão natural quanto comprada — você está firmando um compromisso, não vendendo um bem que possui. Lucra na queda se vendeu mais caro do que recomprou.
- Margem de garantia: para abrir/carregar posição você não paga o valor total do contrato; deposita apenas uma margem (dinheiro ou títulos) como garantia. É daí que vem a alavancagem: um WIN de ~R$ 28 mil de valor nocional (140.000 pts × R$ 0,20) pode ser operado no intraday com margem de poucas dezenas/centenas de reais, conforme a corretora.
- Ajuste diário: todo dia a B3 apura um preço de ajuste e credita/debita em dinheiro a diferença para quem carrega posição (D+1). O lucro/prejuízo é realizado dia a dia, não só no fechamento da operação (ver pílula "Ajuste Diário").
- Contraparte central (clearing): a Câmara da B3 é a contraparte de todos os negócios — o risco de "o outro lado não pagar" é administrado pela bolsa via margens e garantias.
- Vencimento: cada contrato tem data de vencimento e código próprios (ver pílula "Vencimentos e Códigos"). Quem quer manter a exposição "rola" a posição para o vencimento seguinte.
- Liquidação: os futuros financeiros da B3 (índice, dólar, juros) liquidam por diferença financeira; alguns agropecuários preveem entrega física, mas o trader comum liquida antes.
O que o trader precisa saber
- Alavancagem é a característica definidora: pequenas variações percentuais do ativo geram grandes variações percentuais sobre a margem empregada.
- Corretoras exigem margem intraday (reduzida) para day trade e margem de carregamento (cheia, da B3) para posições overnight — carregar sem saldo suficiente gera liquidação compulsória.
- Zeragem compulsória: se o prejuízo consome a margem, a corretora encerra sua posição automaticamente (e costuma cobrar taxa por isso).
- Liquidez varia por contrato e vencimento: WIN/WDO no vencimento curto são líquidos; contratos longos ou agro podem ter spread largo.
- Futuros têm horários próprios, diferentes do mercado de ações (ver pílula "Horários de Pregão").
Na prática
Suponha o WINQ26 a 140.000 pontos. Valor nocional: 140.000 × R$ 0,20 = R$ 28.000 por contrato. Sua corretora pede, por exemplo, R$ 150 de margem intraday. Você vende 1 WIN apostando na queda; o índice cai 800 pontos e você recompra. Lucro: 800 × R$ 0,20 = R$ 160 — mais de 100% sobre a margem usada, com o índice caindo só ~0,57%. O mesmo movimento contra você produziria perda equivalente: a alavancagem amplifica os dois lados.
Quando falha
- Tratar margem como "preço do contrato": a margem é garantia; sua exposição real é o valor nocional inteiro.
- Carregar posição sem conhecer o ajuste diário: o débito cai em conta no dia seguinte; sem saldo, vira chamada de margem/zeragem.
- Ser pego pelo vencimento: posição esquecida em contrato que vence é liquidada/rolada em condições que você não escolheu.
- Confundir venda no futuro com aluguel de ações: no futuro não há custo de aluguel para vender; a mecânica é simétrica à compra.
- Ignorar zeragem compulsória: deixar o risco para a corretora gerenciar significa sair no pior preço e pagar taxa por isso.
